domingo, 19 de outubro de 2008

Cada um dorme onde pode

Não sou uma boa amiga.
Não costumo ligar perguntando como a pessoa está, pois quando eu estou mal simplesmente me afasto das pessoas até me sentir melhor.
Se meus amigos, apesar de mim, ligam falando e pedindo apoio, normalmente sou uma ouvinte razoável, tento não forçar demais a barra com meu senso de humor estranho.
Mas nunca me senti bem no papel de pitonisa, estou sempre me questionando e descrendo de minhas possibilidades.
Como posso ser uma gurú para as pessoas se sofro do mesmo mal? É mais ou menos como as pessoas que estão passando por problemas e, ao invés de buscar solucioná-los acaba por se envolver com pessoas tão ou mais enroladas que elas e,(eu sempre pasmo com isso), tentam resolver os problemas... das outras pessoas. Sempre tem uma frase de efeito, uma solução mágica, mas a vida delas está no fundo do poço.
Esta semana passei por algumas situações que me fizeram questionar sobre como sempre achamos que o outro terá a solução mágica de nossos problemas.
Ouvi, como sempre escuto, com razoável paciência minha amiga. Ela está com problemas no relacionamento. Até aí, nada de grave, tudo muito normal, até que ela decidiu que eu deveria dizer a ela como reagir. Falei que a vida era dela, as escolhas idem. Então ela decidiu colocar outras pessoas no enrosco. Então eu perguntei no que resolveria colocar mais personagens naquela Novela mexicana. E resposta que é bom necas.
A meu ver o negócio, na mente desta pessoa, funcione assim: "O relacionamento está indo pro vinagre, o problema é que falta um pouco de tempero, então vou armar um esquema e ele ficará ciumento e as coisas voltarão a ser como eram!!" Ledo engano! Não existe isso de "as coisas serão como eram", esta frase é típico lixo romântico com ranço do século XIX com roupagem moderna!!
Este negócio de assistir "Malhação" e novelas faz horrores ao ego das pessoas!
O que se normalmente se vê é as gurias(guris) sofrendo horrores (e achando tudo isso muito normal!!) e abrindo mão de várias coisas a fim de poder ter (uma coisa que parece final de fábula escritas em pleno século XV!) um final feliz!
Não acho que sofrimento melhore a alma. Não, eu não sou abnegada! Se estou num relacionamento em que começo a questionar minha beleza, inteligência, se me sinto colocada de lado, eu saio. Talvez a pessoa não seja o problema, mas uma coisa é certa: ela potencializa coisas cruéis em minha mente, e isso não é boa coisa!
Não acredito em finais felizes, eu creio em ser feliz agora. Quem me garante que ao final tudo valerá a pena? O meio. Isso de buscar ensandecidamente a felicidade, como se ela fosse algo como um bibelô, uma prenda para se colocar numa redoma de vidro e ficar admirando, é estupidez!
E, o pior, o que a média das pessoas vê, ou busca ler, é isso: a busca por um final feliz!
E aparecem aproveitadores, do nipe da fada madrinha do Shreek, e o vendem, e com o sabor que você quiser:
* Você está triste, infeliz com o rumo da sua vida, não encontra uma boa companhia,? Compre um novo celular, acompanhe on line a vida das "celebridades", compre a roupa da marca X, e sua vida mudará, e tudo o que te preocupava deixará de incomodar...
Fácil, não?
Num belo dia, estava eu meio sem saber como decidir, com medo das escolhas que se apresentavam, com ansiedade em relação ao futuro quando vi um livro do Osho em minha casa, por sinal o mesmo do post anterior a este, acho que um bom resumo para o livro seria: quando paramos de tentar e simplesmente SOMOS as coisas ficam mais fáceis.
Como todo bom livro sobre Budismo ele sempre confunde mais que clareia as coisas, mas isso é melhor do que os livros que te indicam como viver a vida ( exemplos: O segredo, qualquer livro do Edir Macedo - razoavelmente cômicos em sua seriedade- qualquer livro espírita - um texto que diz que o sofrimento será recompensado e apesar de ser uma boa pessoa a sua vida será uma caca devido a vidas anteriores é uma grande palhaçada! Tira-se todo o poder de livre arbítrio)
Creio que livros e pessoas no máximo só podem servir como placas indicativas, mas a escolha de onde ir só depende de uma pessoa, que vem a ser... (veja só! ) apenas nós! Colocar isto em prática é algo que a pessoa deve fazer...
Como diz Raul Seixas: Não sei onde estou indo, mas sei que estou no meu caminho...
Good luck and good night!

Fui!

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