segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mundo Canis

Ontem participei do processo eletivo como auxiliar técnica de cartório, que nada mais é que uma babá de mesários. Trabalho pé-no-saco. É surpreendente a incapacidade das pessoas de ler e fixar coisas simples: Não mexa na urna antes do final do pleito, não desligue a urna antes das orientações.

Nisk.

O que me traz a esta página é uma coisa que a muito me incomodava, como uma coceira no pé. Sabe, aquela que quanto mais você coça mais coceira temos.
A minha "coceira" tem a ver com uma coisa que uma amiga me disse a alguns anos (demorou pra cair a ficha...) atrás. Que eu devia ser uma autista.

Hoje, acho que a coragem aflorou, ou a preguiça de fazer uma Monografia sobre Cultura e identidade coletiva sob viés economicista para a disciplina de Políticas Públicas no Brasil Contemporâneo (sempre me questiono porque me coloco em situações idiotas como essa! Que ser humano normal faz um texto sobre assuntos tão xaropes? Aff, sou mesmo a pior).

However, fiz uma pesquisa "daquele jeito" (entrei no wikipedia - coisa fina, meu!- no da AMA e do SACI - links já disponibilizados) e descobri que... aparentemente apresento algumas das características da chamada Síndrome de Asperger, que vem a ser uma forma mais branda do autismo.
Imaginem como me senti ao descobrir que não sou uma pessoa estranha, sou uma pessoa com esquisitice crônica!

Ou seja, tudo o que tenho passado e que tem causado uma série de desgastes físicos inimagináveis (ansiedade e temerança obsessiva quando não sabe o que esperar, stress , fadiga e sobrecarga emocional estão entre os problemas mais comuns - e eu no meio- das pessoas com a Síndrome, além de certo problema de interação social, tendência ao egocentrismo, problemas para interação física) não teriam a solução mágica que sempre esperei.

Ô Mundo Canis!

O excesso de apego a leitura (que quando mais nova fazia de maneira compulsiva) é uma outra atividade ligada.

Mas, agora vem a pergunta: o que fazer?

Objetivamente não tenho um grau muito elevado, pois consigo, sempre que me forço, um pouco de interação com outras pessoas, e desde que eu me concentre (tudo isso que faço com outras pessoas é algo que precisa de muito preparo prévio- que merda essa minha vida - caso contrário o negócio vira vinagre).

Entre as milhares de possibilidades que descortinam a minha frente (agora que sei que a maior parte das coisas que me incomodam nada mais são que desarranjo bioquímico, não problemas psicológicos parece que as coisas entraram no eixo), a questão é: o que fazer de minha vida, de agora em diante?

Meditação pode ser um diferencial, uma vez que auxilia a controlar a maior parte das externalidades negativas de meu estado (ansiedade, estafa, controle de medo). Além dos exercícios físicos, que me auxiliam a respirar melhor e controlar a vontade que tenho de correr de situações em que me encontro no Centro das atenções.

Um bom exemplo de como me sinto: Na última quinta-feira na aula falei sobre como a Sociologia auxiliaria a mim e meus companheiros de aula, a termos mais profundidade de racionalização e, a partir disso, poderíamos criar melhores políticas públicas considerando o plano de fundo das pessoas a serem atingidas pela ação. Minha reação as pessoas, que na maior parte apoiaram minha colocação, o que inclui minha professora, me causaram ... PÂNICO!

Um pânico muito louco e desesperador! Era como se eu tivesse criado neles a expectativa de que eu era muito capaz de criar ligações entre textos, e como me acho uma fraude, isso em mim criou um estado tal de ansiedade que quase enlouqueci. Precisei de muita respiração pránáyáma (tipo de exercício de yoga voltado para controle) para me acalmar, e o pior, a situação é revivida muitas vezes em minha memória, como um filme ruim da "Sessão da Tarde" (Rudolf, a rena do nariz vermelho é um bom exemplo de filme recorrente e chato como minha memória).

Esta situação de me sentir acuada por achar que criei expectativa (positiva ou negativa) nas pessoas sempre foi um contínuo em minha vida. Há alguns anos chegava a me causar um certo bloqueio, onde interagir com as pessoas ligadas aos fatos que me causavam ansiedade era algo impossível.

Quase tranquei a Faculdade (mais uma, mais uma vez) devido a isso. Não sei o que me impediu desta vez de simplesmente largar mão e me esconder do Mundo, mas creio que tratamentos ditos alternativos são um diferencial.

Nem sei porque escrevi tanto sobre mim, acho que é uma espécie de exorcismo de minha mente, meio que um método de ordenamento (ordem, controle ter certeza do que irá me acontecer, ô vida meia boca essa minha!!) para que eu consiga ver o que realmente vale.

Fui. Fazer Monografia...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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