quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O que esperar de um novo ano?

Não sei o que realmente me impediu de postar antes.

2009 começou comigo fazendo algo impensável: Não fiz planos para o Ano. Decidi fazer algo que sempre me causou em certo frio na espinha: improvisar.

O que nos traz aqui ao blog.

Já faz uma quantidade razoável de tempo deste minha última de " Sessão Descarrego".

O que me farei hoje, aqui neste espaço, é exorcizar uma lembrança que tive ontem.

Esclareço:

- Estava eu arrumando meu cabelo (num daqueles momentos em que o arrependimento de deixá-lo crescer bate, a vontade de usar peruca impera..) quando lembrei de uma pessoa que convivi por pouquíssimo tempo (uns 7 meses) durante o começo do século XXI. A Roseli. Acho que anda meio batido a história de eu ser autista, mas agora vejo que este fato é o que serve de elo para a história, o que nos traz ao fato de eu ser a melhor na fina arte de demorar para entender as coisas.

Explicandoooo:

A meu ver as pessoas precisam de modelos de comportamento para poderem, a partir deles, conseguirem criar-se enquanto um adulto saudável e maduro. Eu nunca percebi isso com a profundidade que me abateu ontem, pois analisei com calma o fato de não considerar nenhuma das apresentadoras de programas infantis ( Xuxa e curriola toda) como modelos, até hoje acho cretino usar crianças como objetos de decoração dos programas ou investir no sexismo (brincadeiras - se é que podemos chamar assim - de meninos contra meninas) como método de divertimento.

Mas quando vi a maneira fácil e agradável que a Roseli se integrava com desconhecidos (algo que até hoje me assusta e incomoda - interação) aquilo me parecia mágico! Como ela conseguia? E ela sempre estava bem arrumada e sorridente. Inconscientemente - na época - comecei a vê-la como modelo.

Mas como todo ídolo a minha tinha pés de barro: estava num dilema sobre sua sexualidade.

Vamos lá: eu estava interessada (não sou assexuada viu? rsrsrsrsrs) por uma carinha que meu modelo ficou - eu era interessada no cidadão antes - mas logo em seguida a Roseli sumiu do convívio e quando ressurgiu, alguns meses depois, estava transformada. Era como se a personalidade dela, e tudo aquilo que me fascinava, não lhe servisse mais. Ela estava namorando uma garota, bonita por sinal, e pela primeira vez me vi sem chão, apesar de ter tomado conta disso só agora.

Se aquilo que eu gostava e me senti compelida a replicar era tão desagradável a ponto de meu modelo de comportamento ter se sentido na obrigação de simplesmente obliterar esta personalidade, o que eu deveria fazer?

Não me pareceu atraente (e ainda não mudei esta noção) ter um relacionamento homossexual. Não me parece coerente (as vezes até eu me surpreendo com minha capacidade analítica sobre assuntos cretinos). E como eu lidei com o fato de meu modelo estar ruindo escandalosamente na minha frente? O que faço com tudo que me incomoda, deixei de lado.

No fim das contas fiquei com o cidadão e me assustei pois não senti nada. Talvez tenha sido isso que assustou a Roseli: o cara era (acho que ainda é, mas vai saber...) lindo, razoavelmente simpático, porque eu não senti nada?

Agora analisando esta situação (o tempo não é um bálsamo, é apenas uma oportunidade de rir de nós mesmos pela nosso excesso de auto-confiança, isso se você tem um pouco de humor-negro) percebo que a culpa não era de nenhum de nós.

Com o tempo aprendi que atração é uma coisa que é incontrolável, assim como a falta de atração. Até podemos nos obrigar a gostar das pessoas, mas o que acaba gerando um senso de razão é a tal da atração.

A meu ver a carência e o medo da solidão estão ligadas ao fato de termos tantas pessoas sofrendo pela paixão. Tenho problemas para entender porque muitos insistem em um relacionamento em que existem mais perdas que equilíbrio de forças. Mas se colocarmos na equação dados sobre o medo a coisa começa a fazer efeito.

Já vi muitas pessoas inteligentes tornarem-se estúpidas e surdas por um relacionamento, se isolarem por receio de ver a verdade: Que será eterno enquanto durar. E depois ao apagar das luzes sentirem-se traidas e humilhadas ignorando inconscientemente ou conscientemente que elas foram co-autoras no processo de isolamento. Tendem a culpar a tudo e a todos pelo insucesso do relacionamento.

E eu continuo sem entender porque os apaixonados acham que amar é abrir mão do direito de escolha, fazer concessões infinitas a fim de prender o outro. Não gosto de pensar na possibilidade de ser tratada ou tratar os outros como um painel de borboletas. Sabe, aqueles que as pessoas prendem por alfinetes os insetos para deleite próprio. Belo mas sem vida.

O que esperar de um novo ano?

No meu caso muitas ego trips e situações novas que aprenderei in loco a interagir.

Muito Obrigada.

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