quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Por que no fim nada se cria, tudo se recicla

Olá!

Estava eu pensando: Que fim tomou o meu finado Blog do UOL? E dei uma entrada no UOL e para minha surpresa não é que os textos ainda estavam lá?

Escolhi uns textos que fiz num período meio turbulento de minha vida, após o falecimento de uma amiga. Agora faz pouco mais de 1 ano (foram publicados dias 24 e 27/07/08), e decidi recicla-los.

Agora dói menos ler, mas acho que eles foram algumas das razões do início de meu blog no Blogger...

E lá vamos nós...

Cá estou de volta ao ambiente virtual.

Depois de ... deixa eu ver ... 6 meses!!

Estudar tem destes efeitos colaterais negativos.

Mas qual a razão deste momento de exposição ao escrutínio público após um período looongo (em questões de mundo virtual acho que dá uns 10 anos) de ostracismo?

Luto.

E nem é pela Dercy Gonçalves.

Uma amiga faleceu e não estou reagindo positivamente a esta perda. Até aí "pena para mim".

Mas que mundo mais sinistro este. A perda é vista sempre como sinal de falha não como algo natural a vida. O que nos leva a este post idiota.

Como forma de reagir a perda entrei o Orkut e fiz uma coisa que andava tentando evitar: me cadastrei nas comunidades mais estranhas que se tem notícia. Fora as comunidades razoavelmente sérias das quais fazia parte.

E, apesar de não gostar de exposição excessiva (o mínimo faz bem pra saúde social, sabe? Tipo o povo só te conhece se você dá as caras, aumentando razoavelmente as chances de deixar de ser solteiro, certo??) acabei de me cadastrar em dois sites de "exposição excessiva" ( no caso Twitter e Onde estou- que já saí), no caso massificante.

Será que existem pessoas realmente interessadas em saber minuto a minuto o que as outras fazem? Pretendo descobrir empiricamente.

Meu período de luto durará o mesmo que o do período de sete dias. A razão para este número "cabalístico" será razão do próximo post. Que acredito que será ainda neste Anno Dominni.

Os links para os sites da "invasão de privacidade autorizada" estão nos favoritos.

Enjoy the life.


Voltando ao eixo


Em meu último post eu encontrava-me um tanto "fora de eixo".

Lidar com perdas é algo complicado, principalmente num meio em que a MORTE normalmente é tratada como tabu, como o Mundo Moderno.

A bem da verdade não existe isso de luto. Não nos retiramos para um lugar onde podemos analisar a perda, não pesamos a falta que a pessoa ou situação nos causa (sim, perda de emprego, mudanças, fim de relacionamentos nos afetam mais do que queremos reconhecer).

Mas será que existe uma fórmula pronta para lidarmos com a simples e objetiva falta? Será que é realmente necessária esta postura de na dúvida conforme-se com o que temos a oferecer?

Devo reconhecer que meu método de lidar com a perda, é um tanto pouco ortodoxo: não a ignorando, não agindo como se minha dor e minhas lágrimas fossem a coisa mais importante de toda a Sociedade Ocidental, mas buscando referências externas que estivessem próximas do meu estado de espírito.

Amo humor negro. Convenhamos, se não vamos sair desta vivos pra que dramatizar em excesso? Não curto tripudiar sobre a dor alheia, mas não consigo imaginar que a minha dor é a pior, que nunca passará.

Sou uma convicta adoradora dos textos do Monge Busdista Osho, que trata as coisas como um contínuo deslizar pelo caminho. Como agir no melhor estilo Maiza (...Meu mundo caiu...) se sei que isso é apenas uma parte de meu caminho, que está entrelaçado de coisas agridoces?

No post anterior escrevi que trataria sobre o luto. Como todos os dados que encontrei em nada me auxiliar nesta tarefa (legal saber sobre Taunatologia, mas no fundo não senti que me auxiliaria). Então vou dividir uma situação que me marcou profundamente

Durante a parte final do funeral de minha amiga, cuja a falta ainda não consigo digerir, quando seu caixão baixava, ao lado do cemitério (Jardim Jaraguá) estava rolando alguma atividade que aparentava ser futebol de salão (não tive coragem de fazer reconhecimento in loco, estava cansada por demasia), e como todo jogo de amadores rolava o palavreado típico: muitos palavrões e uma gritaria pesada.

Aí tive um insight: "Meu, minha amiga era a pessoa mais viva que conheci, nos jogos de nossos amigos ela deixaria os cidadãos da quadra ao lado do cemitério no chinelo. Não devíamos estar apenas chorando a falta dela, mas comemorando nossa curta interação com ela."

Então entendi porquê se costumava "beber o morto". Qual seria a melhor maneira de se homenagear alguém do que deixando viva a memória desta pessoa, não pela sua falta, mas pelas ações que ela praticava em vida?

Logo a MORTE não deve ser algo absurdamente assustador, mas deve ser um momento de reflexão, onde aceitamos a falta e buscamos nos tornar mais amadurecidos, mas sem deixar de admirar a a beleza da vida


Como viver "para sempre"

Uma vez que é de conhecimento tácito que desta vida não levamos nada, qual a função do acumulo desregrado de bens?

Como já escrevi acima, ando meio fora de eixo, mas ainda não virei comunista, e não creio que a pobreza melhore o espírito humano. Então para que coloquei este libelo contra o consumismo?

Todo o excesso é estúpido. Gasta-se energia por demasia para poder obter cada vez mais sem ao menos se conseguir aproveitar adequadamente o que já se tem. Sem ao menos saber se o que se tem é útil.

Qual a melhor maneira de se lidar com isso: coisas que conseguimos a duras custas mas que não nos trazem mais nenhum tipo de satisfação??

A doação me parece ser uma saída interessante.

Explico. Domingo estava lendo o jornal quando uma reportagem da "Revista da Folha" chamou-me a atenção: Um grupo de pessoas uniu-se em torno deste ideal: dividir com os outros coisas que não mais lhe interessam.

Sempre gostei de aforismos. Para mim parecem um eco do passado sobre temas atuais. Tipo guia de sobrevivência com necessidade de aprimoramento. Vago mas eficaz.

Tem um que diz respeito ao fato das pessoas se tornarem melhores após provações. Não acredito muito, apenas dou crédito parcial a este aforismo em especial.

A mim ele só tem valor se existe um momento de revisão, onde a pessoa se predispõe a questionar seu comportamento e busca melhoria, em seu convívio com o outro e consigo.

Mas nada disso é fácil e, assim como o Luto, é algo que deve ser respeitado, afinal de contas pessoas, apesar de semelhanças biológicas, tem bagagem cultural diferentes, reagem dos modos os mais diferentes possíveis a situações que lhe aparecem e sentem a dor de modos diversos.

A dor não deve ser banalizada ou ignorada, mas deve ser dado o tempo para que a pessoa se adapte a mudança, seja ela qual for: novo emprego, novo relacionamento ou perdas em geral.

Num mundo em que é priorizado a velocidade e adaptabilidade em relação a tudo, o ato de simplesmente se desligar de tudo e procurar uma razão para manter um rumo ou mudá-lo parece um anacronismo. Talvez seja, mas ao menos garante uma vida ao menos mais saudável do que agir como se o Mundo fosse parar se a pessoa se dar um tempo para analisar sua vida.

Termino este post com um outro aforismo: Ninguém é insubstituível.

Se pensarmos assim, que tudo tem um fim e que a medida da imortalidade não é o sucesso, que é passageiro, mas o legado de bondade que podemos deixar aqueles que são atingidos pelos nossos atos, mesmo que no final não tenhamos o nome nos anais da História, mas nossos atos estarão retumbando, como um exemplo vivo de nossa capacidade de distribuir o bem.




É só!
Fui!
Muito Obrigada!

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